Instituto Histórico IMPHIC - Betim

"Sapire ut protegas, Protegere ut conserues"

Do ponto de vista estético, o teatro, a dança, a música, os figurinos presentes aí demonstram um cuidado, uma atenção e uma prontidão para com a manifestação, que ultrapassa o caráter religioso (mesmo estando em função dele) e expõe, tanto para os participantes como para os apreciadores, uma cumplicidade do coletivo que transparece no grau de riqueza que é alcançado. A comunidade se organiza em torno da festividade. Se reconhece e se une em torno do fazer artístico. Do ponto de vista social e político a comunidade se organiza para fazer acontecer a festa. Como roupas e instrumentos serão levados, quem fará a comida que será servida aos participantes, onde essa comida será servida e assim por diante. Além disso, a manutenção do folguedo é dada pela oralidade (de pai para filho, neto, sobrinho, amigo), que só funciona e apresenta resultados se houver um envolvimento considerável da comunidade, ou pelo menos dos próprios participantes, incluindo os mais jovens.
Marina Abib
Teatro Escola Brincante – São Paulo/SP


Aqui no Espírito Santo conhecemos e participamos, desde crianças, dos cortejos das bandas de congo, manifestação típica do Espírito Santo (que são bastante desconhecidas em outros estados e muito diferente do congado mineiro, seja em ritmo, tipo de instrumento, indumentária, mas com alguns traços de semelhanças). Conhecemos bem as repercussões econômicas no Espírito Santo que são bastante significativas e depois podemos detalhar. De uma forma geral, sabemos que o congado expressa tradições profundas da origem afro-brasileira que formou amálgama do que é hoje o povo mineiro.
Wander Silva de Oliveira
Instrumentarte Capixaba – Serra/ ES


A partir da leitura dos textos propostos, comecei a refletir sobre o patrimônio cultural intangível, a importância de sua preservação e como essas manifestações populares, além de serem uma maneira de resistência cultural, são instrumentos de aprendizagem. Bem, então uma história... Trabalho desde 2005 em uma comunidade rural de São João del Rei/MG, distante 40 km do centro da cidade, chamada São Miguel do Cajuru. Bem, após dois anos de trabalho na comunidade me senti a vontade para trabalhar com o grupo de jovens um tema que eu percebia mais delicado para eles, o preconceito racial. No Cajuru, em suas ruas de terra, negros e brancos estão afastados por endereços, sobrenomes e poder econômico. A miscigenação é mínima, apesar de haver uma interação grande entre todos, e o tema não é abordado. Propus aos alunos uma pesquisa dos ancestrais... de todos! E fomos andando até as gerações mais antigas, os bisavôs, tataravôs e, enquanto os alunos brancos traziam orgulhosos histórias européias, os alunos negros não reconheciam as origens africanas. Fomos então falar com as senhoras negras mais antigas da comunidade, em busca de histórias, costumes e cantigas, mas elas não lembravam de nada, ou não queriam falar. O único caminho que encontrei então foi buscar na biblioteca histórias africanas. Lemos essas histórias e começamos a criar cenas a partir deste material. Imaginamos e inventamos no teatro uma história de amor iniciada no continente africano, separada pela escravidão, que atravessava o oceano de canoa (é, no teatro isso é possível) e se reencontrava em um quilombo, referência direta a um local próximo ao Cajuru, que odos sabem que existiu, mas para variar, ninguém tem a informação precisa, nem tem uma história para contar. Assim, fizemos através de livros e da imaginação, uma viagem histórica e cultural a África e ao passado. Viagem esta que foi partilhada com todas as famílias no momento da apresentação no Teatro. Uma viagem na busca deste patrimônio imaterial que está se perdendo, ou que já se perdeu.
Juliano Pereira
Projeto Arte por Toda Parte – São João Del Rei/MG


A plástica das congadas com suas indumentárias carregadas de significados, histórias e representatividade permitem à comunidade expressar de forma significativa toda sua ancestralidade, com ritmos próprios que embalam os ritos que caracterizam essa manifestação. Do ponto de vista econômico, a atividade folclórica gera potencialização do turismo, renda, visibilidade à comunidade, ao mesmo tempo em que divulga o potencial cultural da região. Outro aspecto interessante de se destacar é a injeção de auto-estima com os praticantes e o fortalecimento da comunidade em torno de um interesse comum. A sociedade para saber aonde vai deve saber de onde veio e quem é. A valorização das raízes e identidade de um povo e a preservação de suas tradições é essencial para trilhar este caminho.
Elaíse Carla
Projeto Rádio Instrumental Educativa CBM – Serra/ES


A congada é bem cultural brasileiro que se apresenta em algumas regiões do Brasil, em especial podemos citar, Minas Gerais e Espírito Santo. A congada e a "Irmandade do Rosário dos Homens Pretos" são fruto de muita criatividade popular desde o princípio. Essa criatividade não é só de beleza e fé, mas principalmente de necessidade de expressão e sobrevivência da cultura popular. Esse tipo de manifestação geralmente é bancada pela própria comunidade, que em suas organizações elegem um encarregado responsável pela produção e organização da festa. (...) Toda a comunidade participa com: doações de alimentos, dinheiro e mão de obra. Por outro lado temos também o aspecto turístico que atrai vários espectadores que contribuem também para a economia dessas comunidades. A questão política esta implícita na escolha dos Reis do Congo e encarregados das festas que são escolhidos através de eleição.
Marcio Bello
Tambores do Tocantins – Porto Nacional/TO


Do ponto de vista estético, é importante observar a diferença de um grupo para o outro (o canto, a dança, o fardamento e os adereços usados). Do ponto de vista econômico, a comunidade comerciária se prepara com “fome de lobo” na época dos festejos, vendendo salgados e bebidas que durante dois meses inteiros não venderiam. Do ponto de vista social e político, um grande entrosamento e/ou congraçamento de idéias, projetos e outros. Exemplo: por diversos anos a Semana do Folclore (BH/MG) foi programada durante o cortejo após a Missa Conga, onde grande parte dos possíveis participantes e/ou colaboradores estariam presentes.
Margarida Cassimiro Gasparino
Guarda de Moçambique e Congo 13 de Maio - Belo Horizonte MG

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Acredito que um melhor entendimento das Irmandades do Rosario esclarecem o que é na verdade o Congado
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