Instituto Histórico IMPHIC - Betim

"Sapire ut protegas, Protegere ut conserues"

O Desconhecimento do Falso Histórico e a Omissão nas Irregularidades em Propostas de Revitalização Abrem Caminho Para Execuções que Geram Percepções Equivocadas em Entorno de Tombamento: Estudo de Caso de Tentativa de Fabricação de Percepção Histórica em Betim
Sobre a Proposta em Execução para o Entorno de Bem Tombado no Núcleo Urbano Inicial de Betim Sem Consulta e Autorização, “a priori”, do Conselho do Patrimônio e a Prática de pedido, “a posteriori”, de continuidade de execução da irregularidade.

O presente artigo pretende, através de um estudo de caso, analisar como os processos de tentativas de intervenção em área de proteção de entorno de bem tombado desprovidas de sério estudos sobre os impactos que a inserção de elementos anacrônicos pode trazer para a leitura e entendimento do bem tombado e sua relação com o espaço ao concorrer com o mesmo roubando-lhe a importância e direcionando para a intervenção arquitetônica falsa e sem relevância histórica e cultural urbano. As principais doutrinas do restauro e da preservação na atualidade afirmam a impossibilidade de utilização de reconstrução dos testemunhos históricos, como meio de “resgate”, na atualidade, de testemunhos de um passado que foram deliberadamente descartados como fonte histórica legitima. Dessa forma as intervenções desprovidas de estudos e sem consultas aos órgãos competentes podem levar a equívocos que poderiam ser sanados através de analises previas evitando o erro, o dano e o gasto equivocado.

Introdução
Cada vez mais a identidade e sentido de pertencimento são itens primordiais para garantir a qualidade de vida urbana nas cidades e o patrimônio cultural e suas transformações em alguns casos, ou manutenção em outros, ao longo do tempo são fator preponderante na estabilidade deste “genius loci” do lugar.
De forma geral ao se deparar com um sitio de interesse cultural e histórico e voltarmos para o passado mais remoto daquela ocupação demonstra um tipo de visão que trás sérios danos ao entendimento do processo histórico e das apropriações culturais, estéticas, espaciais e de usos que o lugar sofreu ao longo do tempo. Até mesmo as demolições, por não considerarem aqueles exemplares importantes ou relevantes; ou as novas construções que refletem a época que foram feitas, fazem parte desse processo histórico e não podem ser desconsiderados. Todavia os olhares apenas para o recorte temporal mais antigo desconsiderando esse processo histórico gera tentativas de retorno a um passado já inexistente ou, em alguns casos, a “fabricação” de um passado que nunca existiu. Por mais atrativo que seja o discurso político sobre o “resgate da memória” a introdução de um elemento falso não resgata memoria, apenas “fabrica” um discurso, também, falso, que na verdade não passa de um discurso ideológico das estruturas de poder.
Na primeira parte do artigo vamos entender como as principais teorias sobre conservação, preservação e intervenção em área de tombamento tem a dizer sobre a introdução de elementos que causam leituras equivocadas sobre o processo histórico e as transformações sofridas pelos sítios de interesse culturais e históricos.
Na segunda parte vamos conhecer o contexto onde se propôs uma intervenção que contribui para manutenção de uma falsa ideia de preservação em uma região com uma diversidade de exemplares de varias épocas que per si já constitui uma leitura muito especifica do que é o significado do lugar em termos culturais, histórico e como representante das transformações vividas pela cidade.
Na terceira parte veremos o caso do processo da proposta que este em andamento, como ela chegou ao Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Betim e suas particularidades e a partir dos elementos que foram apresentados ao mesmo, além das omissões de informações faremos uma a análise desses elementos.
Na ultima parte concluiremos sobre como o processo de consulta previa, além de ser uma obrigatoriedade, pode ser uma forma eficaz de se evitar esse tipo de “fabricação” de um discurso histórico equivocado ao se valer de analisar, antes de executar o projeto, as possíveis consequências que o mesmo pode acarretar, prevenindo o dano ao entendimento do entorno e a visibilidade do bem cultural e histórico genuíno.

FALSO HISTORICO EM BETIM

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