Instituto Histórico IMPHIC - Betim

"Sapire ut protegas, Protegere ut conserues"

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Localização: Av. Padre Ozório Braga, 18, Centro – Betim –MG.



A edificação que serve de sede à Casa da Cultura é considerada a mais antiga da cidade de Betim. Segundo avaliação do IEPHA e outras fontes, sua construção se deu no século XVIII, o que significa que a mesma foi edificada pelos primeiros moradores da cidade. Situada próxima à antiga matriz de Nossa Senhora do Carmo, já demolida, presume-se que sua construção se deu no mesmo período da igreja. Segundo o historiador Geraldo Fonseca (1975, p. 60), o pedido para a construção de uma capela para a devoção de Nossa Senhora do Monte do Carmo partiu dos moradores da região de Bandeirinhas em 1753, sendo atendido em 1754, quando, graças a construção da igreja, surgiu o arraial de Capela Nova de Betim. A casa foi edificada nessa segunda metade do século XVIII, em pau-a-pique (pau e estrume de vaca), e traz as marcas das construções da época dos bandeirantes.
A casa foi usada a princípio como pousada de tropeiros que vinham de Goiás e São Paulo em direção à Sabará e outros centros de mineração. Segundo a geógrafa Terezinha Assis (1997, p. 11) a posição estratégica do então arraial, situado entre a região mineradora do Rio das Velhas e as minas de Pitangui, fez com que um posto de troca das tropas fosse instalado no local, além de favorecer o desenvolvimento agrícola como fonte de abastecimento das áreas de mineração. Em 1766 aproximadamente, Capela Nova era quartel de uma das Companhias do Primeiro Regimento da Cavalaria Auxiliar de Sabará . Anos depois, após 1781, foi criado o Regimento de Infantaria da Capela Nova do Betim, extinto em 1788, por decreto da Rainha Maria I.
Ao longo da história, a edificação recebeu outros usos, sempre comerciais, pelo que podemos notar. Por último, foi utilizada como mercearia. Em 1984, o imóvel foi desapropriado pela Prefeitura, já tendo em vista a instalação em seus domínios da Casa da Cultura. A restauração do prédio se deu em 1986, num sistema de vedação em pau-a-pique apoiado em embasamento de pedras, preservando assim suas características originais. Em maio de 1987, foi inaugurada como Casa da Cultura Josephina Bento, em homenagem a uma das primeiras professoras da cidade, Josephina Bento da Costa.
A Casa da Cultura representa hoje o local onde se realiza os principais eventos culturais de Betim, tais como: exposições individuais e coletivas de artistas plásticos, lançamento de livros, apresentações musicais (nos quintais da Casa), palestras, etc. Em suas dependências são ministrados uma série de cursos sob a administração da Fundação Cultural de Betim (Funarbe), tais como: piano, violão, clarinete, saxofone, flauta, capoeira, coral infantil e adulto, iniciação musical e outros. Além disso, nela está exposto um significativo acervo, reunindo peças da história do município e do Estado, fazendo dela espaço de conservação da memória betinense.
:: Casa da Cultura ::
A Casa da Cultura Josephina Bento foi construída por volta da segunda metade do século XVII (1700), na "confluência dos caminhos que vão para Sabará e Pitangui", que na época, eram conhecidas como "Vilas do Ouro". Sua finalidade inicial era servir de pousada para tropeiros, bandeirantes e sertanistas, que vinham de São Paulo com destino à Vila de Ouro. Além de pousada, na casa funcionava um comércio de secos e molhados. Existem indícios que a apontam como a primeira construção de Betim.
Durante as décadas de 1950, 60 e 70, existiu no local um boteco, conhecido popularmente como "Boteco dos Inchados". Juntamente com o boteco, a casa abrigava famílias. Cerca de cinco famílias já a habitaram simultaneamente.
Em 1985, a Casa foi desapropriada pela Prefeitura. No ano seguinte, iniciaram-se as obras de restauração. Em 1987, ela foi inaugurada como "Casa da Cultura Josephina Bento", em homenagem a uma das mais antigas professoras da região.
Em 1997, a Casa foi tombada como Patrimônio Histórico e Cultural, pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Betim, através da lei Municipal 2944/96, que trata da proteção e preservação do patrimônio cultural de Betim.
Apresentação
Este texto destina-se a apresentar o bem cultural “Casa da Cultura Josephina Bento”, situado à Praça Milton Campos. Após uma introdução, seguem-se um histórico geral do município e a descrição detalhada do bem em questão, sob os pontos de vista histórico e arquitetônico, para o que contribuem uma ampla documentação cartográfica e fotográfica. Uma vez estabelecida a sua importância cultural, este dossiê apresenta recomendações quanto às medidas de proteção a serem adotadas.

Histórico do Bem Cultural
A edificação que serve de sede à Casa da Cultura é considerada a mais antiga da cidade de Betim. Segundo avaliação do IEPHA e outras fontes, sua construção se deu no século XVIII, o que significa que a mesma foi edificada pelos primeiros moradores da cidade. Situada próxima à antiga matriz de Nossa Senhora do Carmo, já demolida, presume-se que sua construção se deu no mesmo período da igreja. Segundo o historiador Geraldo Fonseca (1975, p. 60), o pedido para a construção de uma capela para a devoção de Nossa Senhora do Monte do Carmo partiu dos moradores da região de Bandeirinhas em 1753, sendo atendido em 1754, quando, graças a construção da igreja, surgiu o arraial de Capela Nova de Betim. A casa foi edificada nessa segunda metade do século XVIII, em pau-a-pique (pau e estrume de vaca), e traz as marcas das construções da época dos bandeirantes.
A casa foi usada a princípio como pousada de tropeiros que vinham de Goiás e São Paulo em direção à Sabará e outros centros de mineração. Segundo a geógrafa Terezinha Assis (1997, p. 11) a posição estratégica do então arraial, situado entre a região mineradora do Rio das Velhas e as minas de Pitangui, fez com que um posto de troca das tropas fosse instalado no local, além de favorecer o desenvolvimento agrícola como fonte de abastecimento das áreas de mineração. Em 1766 aproximadamente, Capela Nova era quartel de uma das Companhias do Primeiro Regimento da Cavalaria Auxiliar de Sabará . Anos depois, após 1781, foi criado o Regimento de Infantaria da Capela Nova do Betim, extinto em 1788, por decreto da Rainha Maria I.
Ao longo da história, a edificação recebeu outros usos, sempre comerciais, pelo que podemos notar. Por último, foi utilizada como mercearia. Em 1984, o imóvel foi desapropriado pela Prefeitura, já tendo em vista a instalação em seus domínios da Casa da Cultura. A restauração do prédio se deu em 1986, num sistema de vedação em pau-a-pique apoiado em embasamento de pedras, preservando assim suas características originais. Em maio de 1987, foi inaugurada como Casa da Cultura Josephina Bento, em homenagem a uma das primeiras professoras da cidade, Josephina Bento da Costa.
A Casa da Cultura representa hoje o local onde se realiza os principais eventos culturais de Betim, tais como: exposições individuais e coletivas de artistas plásticos, lançamento de livros, apresentações musicais (nos quintais da Casa), palestras, etc. Em suas dependências são ministrados uma série de cursos sob a administração da Fundação Cultural de Betim (FUNARBE), tais como: piano, violão, clarinete, saxofone, flauta, capoeira, coral infantil e adulto, iniciação musical e outros. Além disso, nela está exposto um significativo acervo, reunindo peças da história do município e do Estado, fazendo dela espaço de conservação da memória betinense.
Descrição e Análise do Bem Cultural
A edificação em questão, em cujas dependência funciona hoje a “Casa de Cultura Josephina Bento”, localiza-se à praça Milton Campos, praça onde se encontrava a antiga matriz da cidade, demolida em 1969. Esta parte elevada da cidade constituiu o centro do núcleo original do povoado até o início do século, quando a construção da ferrovia que acompanhou o vale do Riacho das Areias e o Betim deslocou o eixo do crescimento do Arraial para a direção Norte.[14] Segundo a geógrafa Terezinha Assis, prova dessa centralidade estaria já na própria situação da “Igreja Velha” (antiga Matriz de Nossa Senhora do Carmo), “edificada com a frente voltada para o sul (Bandeirinha) e de costa para o centro da cidade”.[15] Assim, aquela praça apresentava um interessante conjunto de casas tradicionais, que ainda se mantinha nos anos 70, como pode ser comprovado pelo registro que delas fez o IPAC realizado pelo IEPHA. Ali, encontra-se o seguinte registro das mesmas:
“Conjunto de edificações presumivelmente, remanescentes do século XVIII e XIX.
Situadas nas proximidades da Casa da Cultura tornam-se importantes para a preservação do entorno tanto desta, como da Praça Milton Campos.
Implantadas no alinhamento com afastamentos laterais possuem partido retangular com o maior lado voltado para a via. O número 246 está implantado no meio do lote, possuindo amplo terreno arborizado. De único pavimento apresentam sistema construtivo em estrutura autônoma de madeira sobre alicerces de pedra, com vedações em adobe apresentando cunhais aparentes.
Recebem telhados em quatro águas com telhas do tipo capa e bica e beirais em cachorrada. No número 149 foi acrescentado um puxado posterior que recebe o prolongamento de uma das águas como cobertura.
Nas fachadas principais os vazios sobressaem sobre os panos das paredes. Os vãos abertos em verga reta mostram enquadramentos de madeira e vedação em folhas do tipo calha. Alguns vãos das fachadas laterais da edificação de número 149 apresentam vergas alteadas mais recentes que as outras.
De uso diversificado, residencial e comercial, as edificações encontram-se em precário estado de conservação, com exceção da de número 246 em estado satisfatório. Estas edificações correm o risco potencial de desabamento ou substituição.”
Hoje o quadro no entorno da “Casa de Cultura Josephina Bento” é bastante diferente, com o desaparecimento ou descaracterização dessas edificações mais significativas. Assim, o que se encontra lá hoje é uma praça já remodelada algumas vezes, com a inserção de elementos novos como uma fonte luminosa em 1988, lixeiras para coleta seletiva e um monumento à antiga Igreja, erigido em 1984. Cabe destacar, no entanto, que apesar da intensa substituição na ocupação do logradouro, a Praça Milton Campos ainda apresenta um conjunto predominantemente horizontalizado, caracterizando-se o seu uso por uma mescla de usos residenciais e comerciais. A arborização é bastante generosa, criando um ambiente agradável para permanência e eventos.
No final da Praça Milton Campos destaca-se a edificação que abriga a “Casa de Cultura Josephina Bento”, o mais significativo exemplar da arquitetura do período colonial na cidade. Edificada presumivelmente na segunda metade do século XVIII, em pau-a-pique (pau e estrume de vaca), a Casa da Cultura é o símbolo vivo do período inicial da história da localidade de Betim, refletindo em sua história a própria evolução do município. Assim, no período da formação da povoação inicial, ocorrida em função da posição estratégica da localidade, a casa foi usada como pousada de tropeiros que vinham de Goiás e São Paulo em direção à Sabará e outros centros de mineração. Neste sentido, representa bem a arquitetura desse final de século XVIII em Minas Gerais.
Localizado numa esquina e voltado para a praça, a edificação possui, como era usual, estrutura autônoma de madeira, com cunhais aparentes. O partido quadrangular eleva-se acima do passeio público através de alicerces de pedras. Também em pedra são as diversas escadas que dão acesso à edificação que se explicam pelo primitivo uso comercial dado à mesma.
A cobertura em quatro águas, telhas curvas e beirais em cachorrada, apresenta caimento proporcional à volumetria do único pavimento.
Nas fachadas predominam as linhas horizontais e os cheios em relação aos vazados. Os vãos, ordenados ritmicamente, recebem enquadramento em madeira com vergas alteadas e folhas do tipo calha.
O terreno aos fundos possui grande número de árvores frutíferas, contribuindo para o embelezamento do entorno.
Ao longo da história, foi se modificando o uso original, mantendo no entanto a edificação seu caráter comercial. Nos anos 70 e início dos 80, foi utilizada como mercearia. Na ficha do IPAC-IEPHA, datada de 1982, consta a seguinte informação: “A edificação utilizada para fins comerciais está recebendo projeto de restauração pelo IEPHA/MG em convênio com a Prefeitura de Betim. Encontra-se em precário estado de conservação, correndo o risco potencial de desabamento.” Em 1984, finalmente, o imóvel foi desapropriado pela Prefeitura, já tendo em vista a instalação em seus domínios da Casa da Cultura. A restauração do prédio se deu em 1986, num sistema de vedação em pau-a-pique apoiado em embasamento de pedras, preservando assim suas características originais. Em maio de 1987, foi inaugurada como Casa da Cultura Josephina Bento, em homenagem a uma das primeiras professoras da cidade, Josephina Bento da Costa.
Quanto ao estado de conservação, este é bom, tendo hoje a edificação um amplo e variado uso, com a realização de uma série de atividades culturais em seu espaço, tais como exposições, palestras, oficinas, entre outros.
Medidas de Proteção Propostas - Enquadramento Legal
A proteção ao denominado patrimônio cultural mereceu da Constituição Brasileira de 1988 referência explícita em alguns trechos, dentre os quais cabe destacar o art. 216, onde se definem os termos e as formas de proteção:
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto e portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
§ 1° - O Poder Público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação.
Em Betim, a proteção ao patrimônio cultural foi instituída pelas Leis Municipais N. 2.944, de 24 de setembro de 1996, que “estabelece a proteção do patrimônio histórico e artístico de Betim, atendendo ao disposto no artigo 166, V da Constituição Estadual e Art. 161 da Lei Orgânica Municipal, e dá outras providências”, e N. 2.968, de 13 de dezembro de 1996, que “cria Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural de Betim e dá outras providências”.
Assim, considerando que a “Casa de Cultura Josephina Bento” pode ser enquadrada na definição de “patrimônio cultural do município”, exposta no Art. 1. da Lei N. 2.944 / 96, que adapta a Constituição Brasileira de 88, sugere-se o seu tombamento por parte do Conselho Delibertativo do Patrimônio., conforme os procedimentos descritos na mesma lei, especialmente em seus parágrafos 3. a 12.
Medidas Complementares
Para a proteção da “Casa de Cultura Josephina Bento” recomendam-se ainda:
Proteção do entorno imediato ao casarão - recomenda-se que o tombamento se estenda ao entorno imediato do casarão, abarcando todo o terreno hoje ocupado pela “Casa de Cultura Josephina Bento”. Para a preservação de um bem imóvel dessa significação é importante também a preservação da relação espacial em que este se insere.
Proteção da Praça Milton Campos - devem ser estudadas, em conjunto com a Secretaria de Planejamento, medidas suplementares de proteção, extensivas ao conjunto da praça Milton Campos, que, apesar da descaracterização arquitetônica do conjunto original, ainda mantém até hoje uma homogeneidade de ocupação horizontalizada, que deverá ser preservada.

Referências Bibliográficas:
• Assis, Terezinha. A História da Construção de Betim. Betim : SEGRAC, 1997.
• BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas I. Magia e Técnica, Arte e Política. Brasiliense: São Paulo, 1986.
• BOSI, Alfredo. “Cultura como tradição”. In: FUNARTE. Tradição e Contradição na Cultura Brasileira. Rio de Janeiro, FUNARTE/MEC, 1985.
• BOSI, Ecléa. Memória e sociedade. Lembranças de Velhos. EDUSP: São Paulo, 1987.
• CARTA DE OURO PRETO. Ouro Preto, 1992 (mimeografado).
• CHAUÍ, Marilena. "Política Cultural, Cultura Política e Patrimônio Histórico". In: O Direito à Memória. Patrimônio Histórico e Cidadania/DPH. São Paulo, DPH, 1992.
• Fonseca, Geraldo. A Nova Força de Minas. Betim, sua História: 1911/1975. Betim, 1975.
• Halbwachs, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.
• LÉVI-STRAUSS, Claude. Tristes Trópicos. Editorial Universitária de Buenos Aires: Buenos Aires, 1970.
• MAGALHÃES, Aloísio. “Bens Culturais: instrumento para um desenvolvimento harmonioso”. Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, Rio de Janeiro, nº 20 / 1984.
• PORTOGHESI, Paolo. Depois da Arquitetura Moderna. Martins Fontes: São Paulo, 1982.
• SANTOS, Carlos Nelson F. dos. "Preservar não é tombar, renovar não é por tudo abaixo". Revista Projeto, n. 86, Abril, 86.
• SEGRE, Roberto. "Havana: O resgate social da memória". In: O Direito à Memória. Patrimônio Histórico e Cidadania. São Paulo: DPH, 1992.
• VASCONCELOS, Sylvio de. Arquitetura no Brasil: Sistemas Construtivos. Belo Horizonte: Rona Editora, 1979. (5a. edição)
Ficha Técnica
Este dossiê foi elaborado a partir do convênio estabelecido entre a FUNDAÇÃO ARTÍSTICO CULTURAL DE BETIM (FUNARBE), o NÚCLEO DE ESTUDOS EM ANTROPOLOGIA E DESENVOLVIMENTO (NEAD), e a UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (UFMG), entre outubro e dezembro.
EQUIPE UFMG / Pesquisa “Políticas Preservacionistas para Betim”:
Antropólogas: Ana Lúcia Modesto/Cleonice Pitangui
Arquiteto: Leonardo Barci Castriota
Colaboração: Arq. Jurema Marteleto Rugani
-------------------------------------------------------------------------[1] Pellegrini Filho, 1993, p.91.
[2] Lemos, 1981, p.29.
[3] CHAUÍ,1992. p.46.
[4] Carta de Ouro Preto. Ouro Preto, 1992.
[5] SANTOS, 1986. pp. 59/63.
[6] Neste sentido, cf SANTOS, 1986. pp. 59/63.
[7] PINTO, Welligton. Minas Dicinário Estatístico Geográfico e Histórico. Belo Horizonte: Editora. 1983, p. 21.
[8] BARBOSA, Waldemar de A. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Saterb, 1971. P. 70/71.
[9] TRINDADE, Cônego Raimundo. Instituições de Igrejas no Bispado de Mariana. Rio de Janeiro: MEC, 1945. (Publicações do SPHAN, N. 13). P. 57.
[10] Idem, ibidem.
[11] SENNA, Nelson de. Anuário de Minas Gerais. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1909. P. 993/995.
[12] ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. Rio de Janeiro: IBGE, 1958. Vol. XXIV. P. 188.
[13] BARBOSA, Waldemar de A. dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte: Saterb, 1971. P. 70/71.
[14] A esse respeito, confira ASSIS, 1997. PP. 11/14.
[15] Idem, pp. 12/13.

 

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CASAS DE CULTURA - UM CONCEITO DISSEMINADO NO BRASIL NA DECADA DE 80

As casas de cultura devem ser geridas de forma que os equipamentos existentes estejam voltados para o favorecimento da expressão cultural da população. Ou seja, não devem se limitar a oferecer aos cidadãos a oportunidade de tomar contato com a produção do mercado artístico. Valorizando-se atividades de formação, debate e promoção da produção local, pode-se transformar a casa de cultura em algo mais do que um equipamento de apresentação de produções culturais: ela pode se tornar uma referência para a sociedade local, constituindo-se um espaço onde os cidadãos agem organizada e coletivamente.
Dando um passo adiante, é importante que uma casa de cultura seja um lugar onde os produtores de cultura da região, não só artistas, mas também professores, estudiosos e pensadores possam criar núcleos de produção, debate, crítica e divulgação de suas experiências de formação e análises de informação.
Entre as muitas atividades que podem ser realizadas em uma casa de cultura, destacam-se:
a) facilitar o acesso à produção artística local, regional, nacional e internacional, sediando mostras, exposições e espetáculos;
b) criar condições para programas de recreação ou vivência, rodas livres de expressão;
c) constituir núcleos de aprendizado, produção e assessoria à expressão artística da população, articulando e oferecendo laboratórios de apoio à expressão e oficinas de arte em áreas como teatro, música, literatura, artes plásticas, vídeo, dança, abrangendo técnicas de criação e produção;
d) promover o resgate da memória e a valorização da história local, com debates, conferências ou exposições;
e) auxiliar as atividades de ensino da rede escolar, realizando eventos complementares, como espetáculos, mostras culturais e científicas, exposições de cultura ou arte, conferências e debates, organizados conjuntamente com os educadores e alunos;
f) articular atividades de produção local de rádio ou TV.
Em qualquer dessas atividades, o desenvolvimento da cidadania deve ser colocado como elemento central para as ações voltadas para os diversos públicos atendidos por uma casa de cultura, de acordo com suas especificidades como escolaridade, faixa etária, condição profissional e acesso a bens culturais.

GESTÃO
Ao se pensar em desenvolvimento da cidadania, uma casa de cultura deve ter uma dinâmica própria. É preciso prever um grau de autonomia na relação com a prefeitura, que pode ser conseguido pela incorporação de representantes da sociedade na gestão e no planejamento das atividades de uma casa de cultura.

IMPLANTANDO
Para a definição de local de implantação de uma casa de cultura, deve-se considerar as demandas existentes nos diversos bairros ou distritos do município. As possibilidade de acesso ao local merecem análise cuidadosa, especialmente em municípios mais populosos e de maior extensão territorial. Como critério menos importante, mas que não pode ser desprezado, é necessário considerar a existência de imóveis que possam receber esse uso. Tem sido comum instalar casas de cultura em imóveis de valor histórico, especialmente em processos de revitalização de centros urbanos. A instalação de uma casa de cultura pode auxiliar em projetos de recuperação de áreas submetidas à degradação de seus usos. Imóveis municipais que venham sendo subutilizados também podem ser aproveitados.
A implantação de uma casa de cultura não deve surgir de ações unilaterais do governo, sob o risco de que ela se transforme em simples equipamento de exibição de produções artísticas. Para integrá-la em um processo de desenvolvimento da cidadania, é indispensável que se realize uma articulação do governo municipal com agentes locais, especialmente aqueles com atuação no campo da cultura. Essa articulação deve contemplar a participação em decisões como localização, projeto arquitetônico e equipes fixas a serem constituídas. Esse tipo de interação entre sociedade e governo municipal tende a facilitar a implantação de uma gestão participativa da casa.

AVANÇANDO
Para que se consiga que uma casa de cultura ajude a promover uma cidadania ativa entre a população que atinge, seu potencial de comunicação e atração da população deve ser utilizado para auxiliar em processos de formulação e implantação de políticas públicas. É importante que ela seja um ponto de referência da organização da população e de seu contato com o poder público municipal.
O coordenador e demais funcionários de uma casa de cultura, dentro dessa ótica, têm uma tarefa bastante ampla, auxiliando no diálogo entre sociedade e prefeitura, atuando como facilitadores dessa relação. Isso exige deles, além de capacidades no campo da ação cultural, uma certa sensibilidade política, que não pode ser entendida simplesmente como apoio incondicional ao governo municipal, mas como capacidade de interlocução com diferentes atores sociais. Trata-se de fazer desses trabalhadores da cultura agentes capazes de integrar as ações do campo cultural a processos sociais mais amplos, sob a ética da promoção da cidadania.

RESULTADOS
À medida em que se prioriza a gestão de casas de cultura como instrumento de promoção da cidadania, é possível oferecer à população um espaço para individuação sem mercantilismo, nem ideologia acrítica, onde o cidadão atue e se perceba como agente ativo da política cultural e da vida de sua comunidade. Valorizando a produção local, chamando os cidadãos a participarem de sua gestão e a socializarem seu saber individual, a casa de cultura atua contra a dominação cultural por modelos e procedimentos massificados ou do mundo "ilustrado" das elites.
Dentro dessa visão, as casas de culturas é um espaço de vivência comunitária da região. Contribui, portanto, para a criação e reforço de relações sociais baseadas na identidade local e na solidariedade. Os efeitos desse tipo de vivência ultrapassam o sentido meramente artístico, recreativo ou educativo. Colocam-se no campo político, como elementos de construção de uma cultura política nova, baseada na noção de cidadania e na participação da sociedade na gestão das políticas e equipamentos públicos.
Configurando-se como um espaço de reunião e encontro dos cidadãos da cidade ou região, uma casa de cultura pode assumir um papel de pólo de organização da população não só em torno do saber e das artes, mas também em torno da discussão da ação coletiva em questões locais ou mesmo de abrangência mais ampla.
Esse caráter de ponto de referência da população para o aprofundamento e discussão de questões de seu interesse tende a contribuir para tornar mais crítica a postura dos cidadãos frente às ações do governo local. Longe de ser encarado como um problema, deve ser tomado como uma oportunidade para desenvolver instrumentos de gestão democrática e para aproximar o governo municipal das carências dos cidadãos, sem depender de estruturas políticas clientelistas.

  Olá, não sei se estou equivocada mas acho que há uma contradição neste texto, existe uma informação de que a casa foi construida na mesma época da antiga matriz de Nossa Senhora do Carmo, por volta de  1750, porém no mesmo texto existe a informação de que fora edificada em 1711.  Gostaria de saber qual é a informação verdadeira, ou se eu realmente li algo errado.

Obrigado.

Foi, muito provavelmente, na segunda metade do sec. XVIII. 1711 foi o ano de pedido e recebimento da sesmaria e ja em 1713 Joseph Rodrigues Betim ja não se encontrava mais aqui na região. Mudou-se para Pitangui.

Olá, estou á procura de dados sobre a construção, ou a reforma da Casa, dados técnicos que expliquem a estrutura, cobertura, revestimentos, alguém sabe se eu consigo tais informações?

Obrigado.

Helena,

A casa sofreu um processo de resconstituição denominado "pastiche", me parece, portanto boa parte da estrutura e material dela nao é original, mesmo porque os materiais construtivos do sec. XVIII talvez nao resistiriam ao trafego intenso de caminhões e ônibus. No acervo do instituto temos algumas fotos da decada de 80, quando a casa passou pelo processo de reconstrução. De qualquer forma procure o dossiê de tombamento da Casa na Funarbe ou no IEPHA. A casa passou por uma reforma em 2003/2004 e deve ter o processo de intervenção, aprovado pelo Conselho, na Funarbe.

 

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